Palimpsesto Cultural: ressignificação de espaços urbanos

As cidades, quaisquer que sejam elas, são como textos que produzem narrativas diversas a cada novo contato estabelecido com seus habitantes ou visitantes. São um texto vivo e em constante (re)construção em função da vivência humana.


É visível no mundo contemporâneo, principalmente nas grandes cidades, a utilização de espaços antigos para novos usos. E a cultura tem sido meio e ferramenta para ressignificação de prédios abandonados, fábricas desativadas, praças que perderam o colorido da vida.


Nas ciências sociais esse fenômeno é denominado "palimpsesto", aquilo que se raspa para escrever de novo. A técnica era muito utilizado na Idade Média em pergaminhos, com a eliminação do texto para sua reutilização. Sabe-se, no entanto, que técnicas desenvolvidas ao longo dos anos possibilitaram a leitura dos textos anteriores.


A cidade torna-se ela palimpsesto na medida em que é passível de reescrituras constantes (de caráter mais ou menos temporário), umas podendo a escrita anterior ser lida através de marcas na configuração plástica, outras cuja escrita anterior é menos visível, mas ainda assim sentida, nunca completamente apagada, pois repousa na memória dos habitantes.


As metrópoles estão cheia de palimpsestos culturais, motivados pelos mais diversos sentimentos e finalidades. Artistas interagindo com a "cidade antiga" para escrever a sua (nova) história, criar sua memória, reconfigurar a programação.


A Intervenção Urbana talvez seja a prática artística que mais se aproxima do palimpsesto cultural, pois é voltada para uma experiência estética que procura produzir novas maneiras de perceber o cenário urbano e criar relações afetivas com a cidade e seus habitantes.


Para nós, gestores culturais, esses conceitos estão entranhados no dia a dia, muitas vezes de forma quase imperceptível. Mas são essenciais para pensarmos e entendermos os espaços que habitamos, e como a cultura pode (e deve) ser utilizada para redesenhar e compreender a nossa história.


Desafio

Enquanto mestranda de Gestão Cultural na Escola Superior de Artes e Design em Caldas da Rainha - Portugal, me foi proposto conhecer e pesquisar sobre o Restaurante Panorâmico de Monsanto, situado no Parque de Monsanto em Lisboa, e propor uma intervenção cultural naquele espaço em desuso há quase 20 anos.


Mãos à obra! Fui até o Panorâmico e me deparei com uma arquitetura fenomenal, um histórico de enigmas surpreendentes sobre a sua real construção e a vista mais deslumbrante da cidade de Lisboa. A cada ambiente é possível perceber memórias, beleza e caos.

Restaurante Panorâmico de Monsanto, Lisboa - Portugal.

Miradouro do Panorâmico no topo do edifício. Vista 360 graus da cidade de Lisboa/Portugal.

O Panorâmico de Monsanto foi encomenda da Câmara Municipal de Lisboa em 1967. Abriu um ano depois, em 68, sendo logo considerado um dos mais luxuosos edifícios da capital e quiçá de Portugal. A obra, de sete mil metros quadrados, é de autoria do arquiteto Chaves da Costa. O interior foi decorado com murais de Luís Dourdil, azulejos de Manuela Madureira e painéis de Querubim Lapa.

Painel de cerâmica em alto relevo "Figuras e Cenas da Cidade de Lisboa", da artista Maria Manuela Madureira.

Muito frequentado pelas elites do Estado Novo, durante décadas recebeu famosos entre os quais o já falecido David Bowie. Entretanto, depois de anos, o emblemático Restaurante Panorâmico foi encerrado. A distância da cidade, os acessos difíceis e a falta de clientela foram as razões apontadas para o abandono.


Transformou-se numa discoteca, depois num bingo e até num armazém de materiais de construção civil. Em 2001 fechou definitivamente e ficou à cargo da degradação humana. Há alguns anos, é palco de intervenções artísticas e eventos culturais.


Uma das intervenções mais recentes é do artista urbano portguês Vhils (Alexandre Farto Aka Vhils) , que homenageou a ativista brasileira Marielle Franco com um mural no interior do Panorâmico, deixando para sempre (ou até a próxima reescrita) a memória de uma defensora dos Direitos Humanos que pagou com a vida o seu trabalho.

Rosto da ativista Marielle Franco esculpido na parede no interior do Panorâmico de Monsanto. Obra de Vhils.

O que propor num espaço que já foi reescrito tantas vezes?! A construção do projeto cultural é coletiva e você pode participar em nosso canal no instagram @ideiapratica.art ou deixando seu comentário aqui na postagem. O resultado final será apresentado em Dezembro.


Saiba mais sobre o Panorâmico de Monsanto

https://nit.pt/out-of-town/07-03-2016-as-imagens-impressionantes-do-restaurante-panoramico-de-monsanto


http://restosdecoleccao.blogspot.com/2014/05/restaurante-panoramico-de-monsanto.html

Razão Social

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