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Carol Peres
23 de mar. de 2019
In Formação e Capacitação
Universidade Lusófona | www.ulusofona.pt - Licenciatura em Ciências da Comunicação e da Cultura - Mestrado em Museologia - Doutorado em Museologia - Doutorado em Arte dos Media - Pós-graduação em Patrimônio Cultural Imaterial - Curso Livre em Cultura e Língua Portuguesa Escola Superior Artística do Porto | www.esap.pt/ - Licenciatura em Gestão Cultural - Licenciatura em Animação e Produção Cultural - Mestrado - Realização em Cinema e TV - Pós-graduação em Arte Contemporânea - Pós-graduação em Arte em Espaços Públicos Universidade Aberta de Portugal | https://portal.uab.pt/ - Mestrado em Estudos do Património Universidade dos Açores |www.uac.pt/ - Licenciatura e Mestrado Integrado em Património Cultural Universidade do Algarve | www.ualg.pt  - Licenciatura em Património Cultural  - Pós-Graduação em Gestão Cultural Universidade de Aveiro | www.ua.pt - Mestrado em Planeamento Regional e Urbano Universidade de Coimbra | www.uc.pt/ - Licenciatura em História da Arte - Licenciatura em Turismo, Lazer e Património  - Mestrado em Gestão e Programação do Património Cultural - Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural - Mestrado em Lazer, Património e Desenvolvimento - Doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura Universidade de Évora | www.uevora.pt/ - Mestrado em Museologia Universidade da Madeira | www.uma.pt/ - Mestrado em Arte e Património no Contemporâneo e Actual - Mestrado em Gestão Cultural    Universidade do Minho | www.uminho.pt/ - Mestrado em Património e Turismo Cultural - Doutoramento em História – História da Arte - Doutoramento em História – Património Universidade de Lisboa | www.ulisboa.pt/ - Licenciatura em Ciências da Arte e do Património - Licenciatura em História da Arte - Mestrado em Estudos Curatoriais - Mestrado em Ciências da Arte e do Património - Mestrado em museologia e Museografia - Mestrado em História da Arte  - Mestrado em Museologia - Doutoramento em História da Arte - Doutoramento em História da Arte – Ciências do Património e Teoria do Restauro Universidade do Porto | https://sigarra.up.pt - Licenciatura em História da Arte - Mestrado em História e Património - Mestrado em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano - Mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico - Mestrado em Reabilitação do Património Edificado - Curso Integrado de Estudos Pós-Graduados em Museologia Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - ISCTE | www.iscte-iul.pt/ - Mestrado em Gestão Cultural - Mestrado em Museologia – Conteúdos Expositivos - Mestrado em Gestão de Mercados de Arte  Católica - Faculdade de Ciências Humanas | https://fch.lisboa.ucp.pt - Doutorado / International Doctoral Program in Culture Studies Universidade Católica Portuguesa - Licenciatura em Estudos Artísticos e Culturais (Braga) - Pós-graduação em Gestão das Artes - Porto - Mestrado em Arte Contemporânea - Porto Instituto Politécnico de Leiria | www.ipleiria.pt - Licenciatura em Gestão de Eventos - Licenciatura em Produção e Programação Cultural - Mestrado em Gestão Cultural - Mestrado em Intervenção e Animação Artística Instituto Politécnico do Porto | - Licenciatura em Gestão do Património Instituto Politécnico de Setúbal - Licenciatura em Promoção Artística e Património Instituto Politécnico de Viana do Castelo - Licenciatura em Gestão Artística e Cultural Instituto Politécnico de Tomar - Pós-Graduação em Gestão Autárquica de Recursos Turístico-Culturais    Universidade Portucalense Infante D. Henrique | - Mestrado em Património Artístico e Conservação - Mestrado em Planeamento e Promoção da Cultura    Universidade Lusíada | - Licenciatura em Ciências do Património - Mestrado em Ciências do Património - Mestrado em Ciências do Património - Educação e Promoção Cultural pelo Património - Mestrado em História da Arte  - Mestrado em Museologia  - Mestrado em Património Edificado Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva | www.fress.pt/ - Licenciatura em Ciências da Cultura - Mestrado em Ciências da Cultura – Cultura Artística - Mestrado em Museografia e Gestão em Artes Decorativas   
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Carol Peres
22 de mar. de 2019
In Estudos Curatoriais
Oito séculos de mistérios... A exposição Vicente. O Mito em Lisboa promove a contemporanização do mito de S. Vicente, Santo padroeiro de Lisboa. A mostra apresenta obras de artes, documentos audiovisuais e publicações, composta por peças originais do Museu de Lisboa e reprodução de referências para a memória coletiva portuguesa. O Pavilhão Preto do Palácio Pimenta (Museu de Lisboa) foi transformado em uma "cidade" com oito "ermidas" ligadas entre si, por travessas que funcionam como um labirinto imersivo que se prolonga no exterior com intervenções ao ar livre. O discurso expositivo é complementado com citações retiradas do livro Vicente. Símbolo de Lisboa. Mito Contemporâneo. A exposição não é só uma mera reunião de obras, mas um encontro da tradição com a tradução contemporânea. Uma releitura dos desdobramentos de uma herança cultural que perdura a séculos. Para nós, gestores e agentes culturais, a arte é a possibilidade de externar as, quase despercebidas, transformações de nossa própria história. A visita à exposição foi guiada pelo professor Mário Caeiro com estudantes da ESAD.CR (Mestrado em Gestão Cultura e Licenciatura em Som e Imagem), num estudo de campo para ver na prática os processos e mecanismos envolvidos na produção e comunicação cultural. Desde a concepção do projeto à curadoria das obras. São Vicente Conta a História que o diácono S. Vicente nasceu em Huesca, tendo posteriormente pregado em Saragoça. Perseguido no tempo do imperador Diocleciano no início do século IV e condenado à morte em Valência. Seu corpo teria sido lançado a um pântano para ser devorado por feras, mas foi milagrosamente poupado pela ação protetora de um corvo. Terá sido esse o primeiro episódio lendário da associação de São Vicente aos corvos guardiães, que vigiaram o mosteiro no sul do Algarve onde seu corpo repousou durante oito séculos e que acompanharam as relíquias do mártir na sua viagem até Lisboa, em setembro de 1173.
Exposição: Vicente. O Mito em Lisboa content media
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Carol Peres
20 de mar. de 2019
In Patrimônio Cultural
Acesse o reletório em pdf: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/sfgec.pdf A Política Brasileira de Preservação do Patrimônio Cultural  A política de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial desenvolvida no Brasil é considerada exemplar desde sua origem no ano 2000.  Mas desde os anos de 1950 que políticas públicas para a dimensão imaterial do Patrimônio Cultural estavam em curso no país com os trabalhos desenvolvidos no campo do folclore e da cultura popular. Diversos estados e municípios também têm se baseado na política federal como fundamento e inspiração para elaborar as legislações locais. No âmbito internacional, a prática brasileira foi influência direta para a elaboração da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, aprovada em 2003 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Também foi determinante para a criação do Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da América Latina e Caribe (Crespial), que reúne 15 países da região.  Mais informações comunicacao@iphan.gov.br (61) 2024-5511- 2024-5513 - 2024-5531 (61) 99381-7543 www.iphan.gov.br
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Carol Peres
02 de fev. de 2019
In Estudos Urbanos
“Olhar Lisboa” é uma proposta de intervenção cultural que utiliza da tecnologia multimídia e das artes visuais para conectar pessoas e a cidade, artistas e o público. Seja pela memória ou pela busca da contemporaneidade, o convite é para a vivência de experiências sociais, num dos espaços urbanos mais visitados de Lisboa, o Panorâmico de Monsanto, e permitir-se a (re)conhecer formas possíveis de ver e viver o espaço urbano. O Panorâmico de Monsanto foi encomenda da Câmara Municipal de Lisboa em 1967. Abriu um ano depois, em 68, sendo logo considerado um dos mais luxuosos edifícios da capital e quiçá de Portugal. A obra, de sete mil metros quadrados, é de autoria do arquiteto Chaves da Costa e conta com uma beleza particular e muitas histórias marcadas em sua arquitetura. Muito frequentado pelas elites do Estado Novo, durante décadas recebeu famosos entre os quais o já falecido David Bowie. Entretanto, depois de anos, o emblemático Restaurante Panorâmico foi encerrado. A distância da cidade, os acessos difíceis e a falta de clientela foram as razões apontadas para o abandono. Transformou-se numa discoteca, depois num bingo e até num armazém de materiais de construção civil. Em 2001 fechou definitivamente e ficou à cargo da degradação humana. Há alguns anos, é palco de intervenções artísticas e eventos culturais. O quinto andar do edifício – um Miradouro – proporciona uma vista panorâmica da cidade de Lisboa e abriga uma obra de arte em desenho sobre azulejo de Manuela Ribeiro Soares. Com uma extensão de quase 10m de comprimento, a obra está instalada nas paredes do espaço e nos remete a uma espécie de mapa orientador, com representações de monumentos lisbonenses, que indicam para onde o visitante de olhar. E é para este espaço que o projeto “Olhar Lisboa” volta o seu foco. Baseado no conceito de pan-óptico – a observação do todo a partir de um centro – o projeto propõe, com base na obra de Manuela Ribeiro, a reprodução digital dos desenhos e a interação com obras de artistas visuais contemporâneos, por meio de telões interativos translúcidos que serão instalados nos vãos do Miradouro. O termo pan-óptico foi instituído pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham em 1785, ao designar um projeto de penitenciária ideal, a partir de uma arquitetura que permite a um único vigilante observar todos os prisioneiros, sem que estes possam saber se estão ou não sendo observados, com objetivo principal de condicionamento do comportamento humano. O sistema seria aplicável, segundo o autor, a prisões, escolas, hospitalis ou fábricas, para tornar mais eficiente o controle daqueles estabelecimentos. Com a evolução das cidades para o tempo moderno, desencadeia-se uma série de processos de disseminação sistemática de dispositivos disciplinares, que, a exemplo do pan-óptico permitiam a vigilância e o controle social cada vez mais eficiente, embora não necessariamente com os mesmos objetivos racionais de Bethan. De um modo geral, a arquitetura do Panorâmico de Monsanto nos remete à “sociedade de controle” de Gilles Deleuze (1990), marcada pela "instalação progressiva e dispersa de um sistema de dominação" de indivíduos e populações. Deleuze formula sua ideiaa partir de Michel Foucault sobre as "sociedades disciplinares" onde o indivíduo continua a mover-se de um "meio de confinamento" para outro: a família, a escola, o exército, a fábrica, o hospital, a prisão ... Todas essas instituições, das quais a prisão e a fábrica seriam modelos privilegiados, são igualmente dispositivos propícios à vigilância, ao esquadrinhamento, ao controle dos indivíduos constituídos como corpos dóceis, inseridos em "moldes". O sistema panóptico moldou a construção/evolução de diversas cidades. As transformações do tempo moderno, possibilitaram o surgimento das metrópoles e os modelos contemporâneos de habitar o espaço. Conteúdo interativo O conteúdo do projeto “Olhar Lisboa” será acionado pelos visitantes no próprio telão (instalado no Miradouro) ou por meio de aplicativo para telemóvel e tablets, que servirá de base de dados. Além das exposições virtuais produzidas por artistas convidados, o público também poderá inserir imagens e vídeos dos monumentos demarcados no mapa e conectar-se com os diversos públicos em tempo real. O olhar de dentro para fora (de quem observa a cidade a partir de um ponto – o Miradouro) e de fora para dentro (de quem é observado e vive a cidade). A proposta não é restringir a vista livre e panorâmica que o edifício proporciona, mas oferecer ao público múltiplas visões de forma simultânea: a Lisboa dos anos 1960 retratado no desenho de Manuela Barros, a Lisboa real e particular de cada observador, e a Lisboa pelo olhar dos artistas. Busca também, chamar atenção às questões da ressignificação e reativação de edifícios desativados, que guardam em si a memória de uma sociedade, mas que por vezes se torna um ambiente ocioso, degradado ou até mesmo destruído. E ainda sobre o momento atual de transformação das cidades e a ocupação pelas artes de territórios urbanos e espaços públicos. Ocupar o Panorâmico de Monsanto através das artes é criar para si uma nova narrativa a partir da vivência humana, qualquer que tenha sido a sua gênese histórica. Nas ciências sociais esse fenômeno é denominado "palimpsesto", aquilo que se raspa para escrever de novo. A técnica era muito utilizada na Idade Média em pergaminhos, com a eliminação do texto para sua reutilização. Sabe-se, no entanto, que técnicas desenvolvidas ao longo dos anos possibilitaram a leitura dos textos anteriores. O espaço urbano torna-se ele palimpsesto na medida em que é passível de reescritas constantes (de caráter mais ou menos temporário), umas podendo a escrita anterior ser lida através de marcas na configuração plástica, outras cuja escrita anterior é menos visível, mas ainda assim sentida, nunca completamente apagada, pois repousa na memória dos habitantes. As cidades estão repletas de palimpsestos culturais motivados pelos mais diversos sentimentos e finalidades. Artistas interagindo com a "cidade antiga" para escrever a sua (nova) história, criar sua memória, reconfigurar a programação. “Olhar Lisboa” busca uma experiência estética que produza novas maneiras de perceber o cenário urbano e criar relações afetivas com a cidade e seus habitantes.
Olhar Lisboa: uma experiência no Miradouro de Monsanto content media
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Carol Peres
02 de fev. de 2019
In Estudos Curatoriais
Se o ato de ver precede as palavras e estabelece nosso lugar no mundo, a fotografia assume o importante papel do ´contador de histórias´, oferecendo ao expectador um conjunto de informações, significados históricos e possibilidades infinitas de interpretações. Neste sentido, o presente artigo apresenta um breve relato do processo de construção de um atlas de imagens, o qual intitulei “Reflexo”, desenvolvido durante a disciplina Estudos Curatoriais do Mestrado em Gestão em Cultural da ESAD.CR[1]. Antes de falar de suas etapas de criação – Recolha de Imagens, Edição e Montagem – é preciso situarmos o cenário no qual o processo foi realizado. Para o desenvolvimento do atlas, dois pré-requisitos foram lançados: a recolha de imagens deveria ser realizada em veículos/meios de imprensa nacional e/ou internacional, e não poderia haver pré-definição de temas, mas uma recolha livre de pré-conceitos, referências ou qualquer outra base teórico-imagética. Levando em consideração que o momento era por inteiro de novidades (novo país, nova universidade, novo curso, novas notícias, nova casa, novos amigos, novas experiências... novas...), pois resido há pouco mais de quatro meses na cidade de Caldas da Rainha, situada no Distrito de Leiria, oeste português, a decisão pela imprensa local foi quase imediata. Era uma forma de “conhecer” e “interpretar” a nova realidade. Optei também por veículos impressos, chegando aos jornais “Correio da manhã”, “Gazeta das Caldas” e “Jornal das Caldas”, ambos com veiculação de notícias locais, nacional e algumas poucas internacionais. O processo de recolha de imagens durou cerca de dois meses. Apesar de vários temas se apresentarem logo na primeira vista aos jornais, a exemplo do futebol, dos escândalos envolvendo o jogador Cristiano Ronaldo, do rumores, à época, sobre os candidatos presidenciais brasileiros, principalmente o que o presidente eleito Jair Bolsonaro poderia representar para a economia mundial, entre outros, a ideia era ir guardando ‘figurinhas’, todas que de alguma maneira me despertassem sentimentos (bons ou ruins). Ao todo foram recolhidas cerca de 120 imagens entre fotografias (a maioria) e ilustrações. No dicionário da língua portuguesa[2] atlas é um volume de ilustrações elucidativas de um texto ou de uma área do conhecimento. Estudiosos afirmam que o primeiro atlas teria sido produzido por Cláudio Ptolemeu (150 d.C), um cientista grego que viveu em Alexandria (Egito), reconhecido pelos seus trabalhos em matemática, astrologia, astronomia, geografia, cartografia e ótica. Deixou para a humanidade a obra Geographia, que reúne os primeiros conhecimentos geográficos greco-romanos, e o tratado Óptica, um conjunto de estudos sobre reflexão, refração, cor e espelhos de diferentes formas. As interpretações de Ptolemeu eram um misto de ciência e misticismo. Ocupava-se dos estudos da localização e movimento dos corpos celestes, mas também da associação da localização dos mesmos com a adivinhação. E é da mitologia grega que deriva o termo atlas, uma analogia ao titã Atlas, que punido por Zeus teria sido fadado a carregar eternamente a Terra em suas costas. A geografia foi o campo que mais se apropriou desse conceito amplo de atlas, agregando à cartografia as representações de mapas e outras informações de determinada região, legando ao matemático, geógrafo e cartógrafo Gerardo Mercator (1585) o título do primeiro pesquisador a usar a palavra no sentido de coleção de mapas. Ao longo do tempo, estudiosos e pesquisadores modernos inseriram a cartografia como metodologia de pesquisa para diferentes áreas do conhecimento, inclusive no campo das ciências humanas e das artes. Essa busca constante por sentidos e representações, levou o historiador Aby Warburg[3] a construir o seu Mnemosyne Atlas, estabelecendo um sistema de similitudes a partir de um arquivo de imagens, reconstruindo direções e estabelecendo suas próprias relações na construção de uma memória coletiva e definindo um método de sobrevivência das imagens para lá do tempo histórico. Fundamentado na teoria da memória coletiva, o Atlas de Warburg foi seu projeto mais ambicioso, com o qual pretendia estabelecer "cadeias de transporte de imagens", linhas de transmissão de características visuais através dos tempos, que carregariam consigo o pathos, emoções básicas engendradas no nascimento da civilização ocidental. Nunca se discutiu tanto o papel da arte e as ciências da cultura para se compreender a humanidade. A contemporaneidade possibilitou infinitas (re)interpretações do mesmo e recuperou em Warburg o método revolucionário da associação de imagens para refletir questões como memória, arquivo, enquadramento, esquecimento, consciente/inconsciente, montagem, discurso, espaço/tempo, e ainda, pensar o “espaço museu” na atualidade. No processo de construção do presente trabalho foi necessário um parêntese para compreender que a fotografia é uma linguagem universal e está presente na maioria das comunicações e trocas de informações realizadas no mundo, construindo histórias, realidades e identidades. É inegável o seu poder de estabelecer uma comunicação direta com o expectador, sem barreiras de língua e de raça, levando sua mensagem e interagindo com o outro pelos canais da emoção e do lúdico, transformando-se em fontes documentais, instrumentos de expressão e memória. Para Marli Albuquerque e Lisabel Klein (1987) a utilização da imagem, animada ou não, tornou-se comum como forma de comprovar ou acrescentar informações às nossas observações cotidianas. A TV, os jornais, as revistas, etc, diariamente, nos trazem conteúdos completados por imagens, e não raramente, as imagens assumem, em si, o conteúdo básico das informações que nos são transmitidas. Na esteira de Warburg, trabalhos de diversos historiadores e fotógrafos contemporâneos serviram de referência para o processo de edição das imagens recolhidas e para montagem do atlas. A referência maior foi Gerhard Richter[4], que desde os anos 1960 reúne uma série de recortes de jornal, ilustrações de revistas e livros de fotografias de família, o que se tornou mais tarde o projeto ATLAS. A maioria de nós está familiarizado com imagens como parte de um continuum, uma série de acontecimentos sequenciais e ininterruptos que tem em seu ciclo um ponto inicial e um fim. Sejam fotos de família em um álbum (ou talvez um arquivo digital agora) ou o fluxo contínuo e amplamente supérfluo de imagens de mídia que encontramos diariamente, quando isoladas desse ciclo de acontecimentos, ou colocados em uma ordem e disposição específicas, como Richter fez, as imagens se tornam estranhamente presentes novamente; agora passam a ter um lugar fixo, um contexto único, mas que possibilita a interpretação a partir de quem as observa. Essa talvez seja a característica mais relevante do ATLAS de Richter: ser aberto a infinitas interpretações e análises. E foi buscando essa aliteração mnemônica de Ritcher, que a segunda e terceira etapas do presente trabalho – edição de imagens e montagem – foram construídas. Os temas foram surgindo ainda no processo de recolha de imagens, mas não foram determinantes para o mesmo, e nem possuem relações entre si, apesar de possibilitarem a construção de uma história em quatro atos. A categorização e titulação dos painéis tiveram influência em Peter Piller[5] e seu Archive, uma verdadeira enciclopédia de fotografias classificadas de acordo com o design e correspondência de conteúdo. Seu arquivo é baseado em uma coleção de cerca de 6.000 fotos recolhidas de jornais nos anos 1994/2005, somadas a uma coleção de fotografias aéreas produzidas por uma empresa na década de 70 na Alemanha, que ele recebeu como doação em 2002, além de cartões postais históricos, achados da internet e trabalhos próprios. Das coleções surgiram várias compilações temáticas, com títulos curtos e concisos, como "Sleeping Houses" ou "Shooting Girls". Os quatro painéis que resultaram o trabalho final sugerem uma intenção narrativa a partir de imagens de eventos públicos, pessoas do cotidiano, pensamentos específicos, ideias e proposições que coexistem, retornam e são reprisados em contextos diferenciados. O primeiro painel – Olhe [o mundo ao seu redor] – foi construído na simplicidade complexa do ato “olhar”. Pelo o que observamos e por quem nos observa. Os olhos são as ferramentas com as quais o cérebro cria o campo visual, e no sentido mais amplo de visão (de percepção visual), é através dos olhos que, primeiro, armazenamos as nossas informações do mundo. Ao olhar para um objeto, o cérebro interpreta não só a sua forma, mas faz uma combinação de informações arquivadas (memória), criando um sentido (sentimento) para o que o olho vê (cores, movimentos, etc). A arte é uma expressão do “olhar”. Possibilita ao expectador perceber e interpretar seus produtos, mas também seu próprio mundo. Quando Henri Cartier-Bresson diz, “fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração”, está falando também do ato de olhar. Segundo Daniela Ávila Malagoli, pesquisadora e comunicadora social, ao nos expressarmos sem precisar falar, imprimimos emoções, sentimentos, adjetivos e contextos que nos permite perceber e compreender a mensagem com mais profundidade. Uma troca de olhares permite interação entre as pessoas, e fornece uma sensação de pertencimento. A partir de outro olhar nos constituímos, percebemos e ampliamos a relação com o mundo ao redor. O segundo – Empodere-se [assuma o controle] – resulta de uma reflexão sobre a atual situação social e política no Brasil (minha terra natal). Com um governo de extrema direita, que se mostra excludente com relação às minorias, o empoderamento individual e social é uma ação quase de sobrevivência. Empoderar é potencializar a conscientização civil coletiva sobre os seus direitos, buscando transformações nas relações sociais, políticas, culturais, econômicas e de poder. Esse painel é também um questionamento, a que tipo de “arma” cada pessoa utiliza para garantir o seu lugar ao sol. Seu corpo [suas regras] é o título do terceiro painel, que sugere uma reflexão à erotização do corpo feminino e ao corpo como produto e moeda de troca. Os reflexos sociais e psicológicos dessa “banalização” trazem uma discussão antiga que se espalha nos novos formatos e modelos sociais. As imagens que foram se mostrando durante o processo de recolha, remetem a um “comércio” próprio, uma busca do prazer, mais social do que pessoal, do status, da exposição exacerbada e a qualquer custo. O quarto e último painel da série – Toque [com amor] – traz as mãos como ferramenta principal de acesso ao outro. O ato de tocar está relacionado diretamente às sensações da pele e a cinestesia (sensibilidade aos movimentos). Confirma a existência de uma realidade objetiva, no sentido de que é alguma coisa externa, que não eu próprio. É contato imediato. É a mão que “dá” e “tira”. Configura, por um lado, as relações humanas afetivas, a paz entre nações, a (re)conecção com o habitat natural, e por outro, traumas psicológicos, desordem e a morte. Se configura também, como a maior expressão tecnológica do século 21. Touch está diretamente relacionado às transformações sensoriais que o cérebro vem sofrendo ao longo dos últimos anos. Finalizando o processo de criação do atlas Reflexo, os painéis foram montados em papel cartão em tons variados de vermelho e laranja. Não por acaso, as cores quentes causam impacto e intensidade. Está ligada à energia, força, poder, entre tantos outros sentimentos que estimulam a mente e as emoções. O cientista alemão Wolfgang Von Goethe, que criou a Teoria das Cores, diz que a cor não depende somente da luz, mas sim da percepção que temos diante a um determinado objeto. O atlas é uma, das inúmeras interpretações possíveis, das imagens que o compõe. É um campo aberto para releituras, reflexões, compreensões, aproximações... a origem de cada imagem é ausência, justamente porque ela só faz sentido no contexto de sua (nova) representação. [1] Escola Superior de Artes e Design do Instituto Politécnico de Leiria – www.ipleiria.pt [2] "atlas", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/atlas [3] Abraham Moritz Warburg (Hamburgo, 13 de junho de 1866 — 26 de outubro de 1929). [4] Gerhard Richter (Dresden, 9 de fevereiro de 1932) é um pintor alemão, cuja as obras fundem a iconografia jornalística e retratos de família com um realismo austero baseado na fotografia. www.gerhard-richter.com. [5] Peter Piller (Fritzlar, 5 de janeiro de 1968) é um artista alemão contemporâneo das artes visuais. Seu arquivo Peter Piller, cujas imagens ele compila em séries temáticas, é um de seus trabalhos de maior relevância. De 2006 a 2018, ele foi professor de fotografia no campo da arte contemporânea na Academia de Artes Visuais de Leipzig. Desde outubro de 2018, ele lidera a classe de arte na Academia de Arte de Dusseldorf. www.peterpiller.de/ .
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Carol Peres
02 de dez. de 2018
In Estudos Curatoriais
Como avaliação final da disciplina de Estudos Curatoriais no Mestrado de Gestão Cultural, nos foi solicitado a construção de um Atlas de Imagens a partir de fotografias publicadas na imprensa nacional e/ou internacional, com base no modelo do Atlas de Gerhard Richter. O processo de construção do Atlas está dividido em três etapas: Recolha de imagens; Edição de imagens e Montagem do Atlas. Como recorte de estudo, delimitei a imprensa local da cidade de Caldas da Rainha. Uma maneira de aproximar da nova realidade na qual estarei inserida nos próximos dois anos, mas sem a pretensão de interpretar fatos ou relacioná-los à história da cidade. O objetivo aqui é meramente de recolha de imagens, sem distinção de tema, pré-conceitos ou preferências. O Atlas final será apresentado em janeiro/2019. Primeira edição coletiva para montagem do Atlas de Imagens.
Construindo um Atlas... content media
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Carol Peres
02 de dez. de 2018
In Estudos Curatoriais
O Atlas de Gerhard Richter é uma coleção de fotografias, recortes de jornais e esboços que o artista vem montando desde meados da década de 1960. Alguns anos depois, Richter começou a arrumar os materiais em folhas soltas de papel. "No começo eu tentei acomodar tudo o que havia em algum lugar entre arte e lixo e que de alguma forma parecia importante para mim e uma pena jogar fora." ** Atualmente, o Atlas consiste em 802 folhas. Abrangendo um período de quase quatro décadas, as folhas individuais refletem diferentes fases da vida e do trabalho de Richter: Embora Gerhard Richter já tivesse começado a coletar fotografias e recortes de imprensa, ele só começou a trabalhar no Atlas no início dos anos 70, organizando suas próprias fotografias e outras fotografias da família em papel. Posteriormente a essas fotografias, ele incluiu fotos tiradas de jornais e revistas, algumas das quais ele usou como imagens de origem para suas pinturas fotográficas dos anos 60 [por exemplo, Folhas: 5-15 ]. A vida e a arte de Gerhard Richter se inter-relacionam no Atlas de maneira multifacetada: assuntos banais como um rolo de papel higiênico [ Folha: 14 ] são justapostos com imagens horripilantes do Holocausto [ Folhas: 16-20 ]; fotos de paisagem em série estão alinhadas com fotografias familiares íntimas; amostras de cores anexadas a imagens de origem podem ser encontradas, bem como fotografias mostrando instalações de museus. Com base em sua complexidade e diversidade, a importância do Atlas supera a documentação simples, e o Atlas é amplamente considerado como uma obra de arte independente. Nota ** Entrevista com Dieter Schwarz, 1999 em: Gerhard Richter: Text. Escritos, Entrevistas e Cartas 1961–2007 , Thames & Hudson, Londres, 2009, p. 332. Referências: * Gerhard Richter's Atlas: The anomic archives - https://goo.gl/ug5nWx * www.gerhard-richter.com/en/art/atlas
Atlas de Gerhard Richter content media
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Carol Peres
02 de dez. de 2018
In Estudos Curatoriais
Fala-se hoje de um «renascimento» de Aby Warburg  para designar o interesse crescente pela sua obra e para reconhecer que ela terá finalmente chegado ao momento da sua legibilidade. Este "renascimento" não é motivado por um interesse arqueológico mas pela descoberta de que todo o trabalho de Warburg - as suas elaborações teóricas, as suas investigações historiográficas, a constituição de uma biblioteca que o ocupou a vida inteira - são um contributo importante para pensar a história da arte, isto é, tanto a disciplina assim chamada – nos seus métodos, nos seus pressupostos – como a própria historicidade das obras de arte. E, de maneira mais alargada, para pensar o vasto campo das ciências da cultura. O “Mnemosyne Atlas” de Aby Warburg,19 (1925), o trabalho inacabado é constituído por uma construção de um modelo mnemónico, no qual a cultura europeia humanista, talvez pela última vez, reconhece as suas origens e traça caminhos para o presente, e é nessa tentativa de construir uma memória colectiva que o Atlas de Warburg se insere nas práticas de montagem da vanguarda dos anos 20. As técnicas, utilizadas por Warburg nos seus painéis, pertencem às técnicas de montagem realizadas por Schwitters e Lissitzky. Aby Warburg, a partir de reproduções ou detalhes de obras, anúncios, fotografias e recortes, pretende construir uma história de arte sem texto, estabelecendo relações e fazendo-as circular entre elas, a partir da citação das representações. O historiador necessita de citar a linguagem, mas também aquela que está em falta, realizando uma constelação de citações da arte, procurando, em certo sentido, uma genealogia e uma arqueologia das representações. Mediante este processo migratório de imagens, Warburg tenta encontrar traços, decifrá-los e assim reconstruir as suas direções. De um ponto para o outro, constrói as suas próprias relações. Ao estabelecer um ou mais caminhos na desconstrução das imagens, na sua circulação, na permanente citação, na sua organização, na tentativa de decifrar o enigma, estabelece um sistema de similitudes. Um sistema de memória e arquivo. Referências: https://sites.google.com/site/opequenomuseudacondicaohumana/home/humanidade/mnemoyse-atlas http://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis17/Poiesis_17_EDI_Mnemosyne.pdf http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/resources/aguerreiro-pwarburg/
Aby Warburg e o Atlas de Memórias content media
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Carol Peres
02 de dez. de 2018
In Estudos Curatoriais
Nesta categoria do Fórum [Estudos Curatoriais] vamos refletir a cerca dos processos de curadoria, coleções de arte e arquivos de image, a partir de Aby Warburg , que com seu Atlas da Memória (Mnemosyne Atlas) definiu a sobrevivência das imagens para lá do tempo histórico e de questões anteriormente canônicas da história da arte como estilo, a forma ou o tempo cronológico. Com a definição de um método revolucionário de associação de imagens , o que chamou "iconologia do intervalo", Warburg foi recuperado pela historiografia e as estéticas contemporâneas. Na sua esteira, universos autorais como os de Gerhard Richter, Peter Piller, Lina Bo Bardi, Mike Mandel e Larry Sultan, entre outros. E questões como memória, arquivo, trauma, esquecimento, monumento, documento, intervalo, lacuna, desenho, arqueologia, enquadramento, consciente/inconsciente, montagem, corpo/espaço/tempo, discurso.
Estudos Curatoriais e os Arquivos de Imagem content media
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Carol Peres
30 de nov. de 2018
In Gestão de Projeto
É canônico afirmar que as especificidades do campo cultural e da comunicação conferem às atividades artísticas uma fragilidade específica. Ao contrário dos processos comuns de produção de bens e serviços, o desenho de projetos culturais tem que ultrapassar insuficiência de caminhos seguros, testados e consolidados anteriormente. Em virtude dos múltiplos fatores imponderáveis do processo de criação artística, as regras da gestão de projetos culturais exigem uma adaptação permanente das suas premissas aos objetivos da ação, através de reformulação dos seus instrumentos e de uma aprendizagem permanente. (Carla Cardoso e Ligia Afonso) Nesta categoria do Fórum [Gestão de Projetos] vamos compartilhar informações e experiências sobre as diferentes técnicas e instrumentos necessários a um gestor cultural para a concretização de tarefas inerentes à organização e realização de projetos com tipologias múltiplas e em diferentes áreas da cultura.
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Carol Peres
30 de nov. de 2018
In Geral
A arte é um dos ambientes mais coletivos de circulação do ser humano. Apesar de seu processo muitas vezes individualistas e solitários, proporciona interação, integração, socialização, colaboração. É nesse espírito de compartilhar conhecimentos e de construção coletiva da cultura, que lanço o Fórum de Gestão Cultural. Um ambiente virtual dedicado à compreensão e debate a cerca dos temas relacionados aos processos que envolvem a profissão do gestor e do produtor cultural, bem como assuntos relacionados à reflexão do fazer cultural no mundo contemporâneo. Os artigos e conteúdos aqui publicados, estão sendo produzidos no âmbito do Mestrado em Gestão Cultural da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha/Portugal (2018/2020), o qual ingressei em setembro/2018, através do Programa Conexão do Fundo de Apoio à Cultura - FAC, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. ​ A participação no Fórum GC é aberta a todos os profissionais da cultura, bem como artistas, produtores, estudantes, professores e gestores públicos. O acesso ao conteúdo é gratuito, realizado mediante cadastro no site. A reprodução é permitida desde que mencionados os devidos créditos e fonte de origem.
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Carol Peres

Colaborador
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